Por LOWRY LANDI
Que velhice é essa que está no imaginário das pessoas que a torna tão previsível e miserável a ponto de criarmos termos específicos para tal categoria, como terceira idade, melhor idade ou idade do lazer? O envelhecimento transformou-se em problema social e assim novas definições de velhice e do envelhecimento ganhou tamanho e notoriedade.
O filósofo Cícero acrescenta; “É irônico por quê? Todos os homens desejam alcançar a velhice, mas ao ficarem velhos, se lamentam. Queixam-se de que ela (a velhice) chega mais furtivamente do que esperavam. Por diabos, a velhice seria menos penosa para quem vive oitenta anos do que para quem se contenta com oitenta anos?” E ele acrescenta: “Simplesmente, é preciso que haja um fim”.
Em verdade que não se vive para sempre. O processo existencial segue como um fato natural, universal e necessário à alma cumprindo um ciclo biológico e espiritual do ser humano que envolve o nascimento, crescimento e a morte. E tudo fica marcado como uma infeliz realidade, mas a juventude, de nossos dias, não é mais uma fase da vida inteira. Quer saber o pior? Porque somos obrigados a conviver com essas múltiplas tentativas de fugir a velhice também no idioma.
Então surge na cabeça dos mais jovens, especialmente, filhos e netos, a palavra asilo. E o que é asilo? Da mesma forma que o velho é chamado de idoso para que o velho não seja ofendido, afinal de contas, a palavra idoso parece ser mais socialmente aceita do que velho, e no caso do asilo, a sociedade assistencial passou a chama-lo de CASA DE REPOUSO, como se isso mudasse o significado do que é estar apartado do mundo. E com isso velhice virou terceira idade e, a pior de todas quando é chamado de “melhor idade”, e nisso os velhinhos nos asilos passa a ser tratados QUASE como crianças.
O que podemos dizer é que a velhice com seus muitos pseudos sinônimos, guardando algumas armadilhas sociais. E nisso, só como exemplo, estar em um asilo seria como estar apartado do mundo. Asilos ou casas de repouso são instituições que, há muitas décadas de nossos dias, refletem um tema profundo e complexo, de incontáveis reflexões.
Mas ser velho é estar mais perto da morte? Biologicamente até pode ser, mas, na prática, não é uma verdade, pois o estilo de vida social com alimentação muito vitaminada, exercícios físicos e uma vida social bem incrementada, não dá pra se imaginar um limite de vida das décadas passadas. Uma pessoa que atingiu 50,60 ou 70 anos de vida, seguramente, não pode mais ser considerada um velho no sentido de uma criatura fisicamente e mentalmente inútil. Ficamos, assim, dentro de uma experiência dura ou duríssima, quanto profunda. Negar a realidade da velhice é como cobrir o Sol a luz de uma peneira, como uma escolha que nos rouba alguma coisa de vital.
E como fica a questão da morte? Uma questão assustadora que até o momento a Humanidade não conseguiu explicar ou tão pouco resolver. O que acontece realmente o contrário, pois médicos, assistentes sociais e psicólogos que tem os velhos como pacientes , tentam negar (ou amenizar sua existência) a todo custo. E o que se conclui quando estamos diante – cara-a-cara – com o velho? Fica um paradoxo dissoluto, pois os anos a mais de vida conquistados só aumentam a angústia dessa proximidade, pois esse alargamento da vida que se ganhou é justamente aquele que está mais próximo do momento final da vida, o momento do GAME OVER. E por que não entender a morte como parte integrante da vida, quase num processo que se inicia como o do nascimento, quando a vida é tida como uma caminhada que apenas está começando? Negar a morte que se aproxima? Nada disso. Apenas encarar a morte sendo parte integrante da natureza humana.
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