TEATRO DO OPRIMIDO E SUAS CONSEQUÊNCIAS Por LOWRY LANDI

 


Deixou-nos Augusto Boal: “Aquele que transforma as palavras em versos transforma-se em poeta; aquele que transforma o barro em estátua transforma-se em escultor; ao transformar as relações sociais e humanas apresentadas em uma cena de teatro, transforma-se em cidadão”. A solidariedade entre semelhantes e a parte medular do Teatro do Oprimido. Criado pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal, nos anos 70, busca não apenas conhecer a realidade, mas a transforma-la ao nosso feitio, a transformação da sociedade no sentido da libertação dos oprimidos. E ação em si mesmo, e preparação para ações futuras. 

Atualmente presente em mais de setenta países espalhados pelos cinco continentes, o Teatro do Oprimido (TO) e uma metodologia de trabalho político, social e artístico. E baseado na ideia que todo mundo e teatro, todos os seres humanos são atores, mesmo que não façam teatro. O ser humano carrega em si o ator e o expectador porque age e observa, e o também escritor, o figurinista e o diretor da própria peca, ou seja, da própria vida, pois escolhe como agir, o que vestir em cada ocasião e como se comportar.

O Teatro do Oprimido, de acordo com o próprio Boal, pretende formar o espectador, com o recurso da quarta parede, em sujeito atuante, transformador da ação dramática. A ideia central e que o espectador ensaie a sua própria revolução sem delegar papeis aos personagens, desta forma conscientizando-se da sua autonomia diante dos fatos cotidianos, indo em direção a sua real liberdade de ação, sendo todos ESPECTADORES, ou seja, atores e espectadores da ação dramática e da própria vida.

Através da pratica de jogos, exercícios e técnicas teatrais, procura estimular a discussão e a problematização de questões do cotidiano, fornecendo maior reflexão das relações do poder, através da exploração de histórias entre opressores e oprimidos. Os jogos propostos procuram desmecanizar o corpo e mente dos praticantes, alienados em tarefas repetitivas, e possuem regras como a sociedade, mas necessitam de liberdade criativa para que o jogo, ou a vida, não se transforme em obediência servil. São diálogos sensoriais que exigem criatividade e ajudam a desenvolver em pessoas de qualquer idade e profissão o sentido de humanidade criando possibilidades de observarem a si próprios. 

O filme AUGUSTO BOAL E O TEATRO DO OPRIMIDO narra a trajetória do teatrólogo Augusto Boal. Em paralelo, procura mostrar a evolução do Teatro do Oprimido, presente em 72 países desde os anos 70 cuja filosofia e romper a barreira entre ator e público, propondo uma ação política libertadora, Augusto Boal acreditava que as artes cênicas funcionam como meio de transformação subjetiva do ser humano e transformação objetiva da sociedade, ponto de partida para o Teatro do Oprimido, onde o espectador adquire voz, movimento, som e cor, e pode exprimir desejos e ideias.

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